combate

Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

30 anos sem desistir

outubro de 2003 · Jornal · 446 palavras

Combate, outubro de 2003, edição em linha

O Combate inicia, neste número, um conjunto de entrevistas d@s camaradas que estiveram na origem e desenvolvimento da chamada "corrente trotskista" em Portugal, nos últimos 30 anos. Aproveitando as próximas comemorações dos 30 anos da fundação da Liga Comunista Internacionalista (LCI), em Dezembro de 1973, em Peniche, aproveitámos esse pretexto para ir ter com militantes que, em várias décadas de actividade, não desistiram e que, pelo seu envolvimento pessoal, deram expressão concreta a processos organizativos diversos, mas que, no final, serviram para manter vivas algumas das ideias e valores mais emblemáticos do "trotskismo" em Portugal.

Em geral, para "nós" , o "trotskismo" sempre teve aspas. Não porque nos incomodemos em reivindicar o fundamental da herança do pensamento político de Leon Trotski, expresso em inúmeros combates políticos que manteve ao longo da sua vida. Mas, sobretudo, porque sempre entendemos essa "herança política", como um contributo mais para a formação do pensamento marxista revolucionário.

É verdade que, frequentemente, se apelidou de "trotskistas" tod@s @s que, a nível da URSS ou no mundo inteiro, se opuseram a tudo o que marcou a prática política estalinista nesses anos de "chumbo" da revolução soviética. Nessa medida, o ismo que se costuma acrescentar aos que participaram, com Trotski, na formação da oposição de esquerda na URSS, não incomoda, especialmente se encarada como oposição ao estalinismo, quer na URSS, quer em todos os outros Partidos Comunistas existentes no mundo.

Mas, para além desse período da história do pensamento político revolucionário, muitos outros períodos e figuras políticas tiveram, igualmente, um papel de destaque na formação do pensamento político marxista. Para ele, vári@s foram @s que, pela teoria ou pela prática, foram dando corpo ao marxismo como praxis revolucionária: Marx, Engels, Lenine, Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, G.Luckács, Che Guevara, a revolução russa, a revolução alemã, a revolução chinesa, a revolução cubana, etc, etc. Face a nenhuma daquelas personagens caímos, alguma vez, na tentação de identificar uma "linhagem de pureza" do marxismo. Daí, ao culto da personalidade sobre alguns dos "iluminados" nos escaparates da revolução é um pequeno passo, que sempre rejeitámos, que nunca demos, mas em que muitos caíram, sobretudo no século passado. É precisamente nisto que se fundamenta a nossa "reserva mental" face à tentação de aplicar a esta corrente de pensamento o epíteto redutor de "trotskistas".

Essa e muitas outras coisas, aprendemos uns com @s outr@s. Em particular, apreendemos essa e muitas outras coisas com o João Cabral Fernandes, fundador da LCI, revolucionário (já "antigo"…) de cabeça e psiquiatra de profissão, e que, passados 30 anos, mantém viva a sua postura de sempre face à sociedade em que vivemos: continuar a achar que "um outro homem é possível". Vejam bem…

Heitor de Sousa

Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.

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