combate

Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Contra a guerra do império, globalizemos as resistências

fevereiro de 2003 · Jornal · 529 palavras

PSR · Combate, fevereiro de 2003, edição em linha

Realizado no primeiro fim-de-semana de Fevereiro, o XIII Congresso do PSR centrou-se na discussão sobre a guerra que se anuncia preventivamente eminente, e o seu papel num cenário internacional marcado pela recessão económica e pela nova organização política ditada pela ameaça belicista das forças militares norte-americanas.

Sob o escudo legitimador da guerra ao “terrorismo global”, o imperialismo americano, com Tony Blair como seu procurador na Europa, abre brechas ainda mais fundas na decomposição da social-democracia europeia e no impasse em que vive actualmente o projecto de construção europeia.

Paralelamente, nos dois anos que separam os últimos congressos do PSR, reforçou-se o campo dos movimentos que se batem por uma globalização alternativa e de resistência ao neo-liberalismo, como são disso exemplo as manifestações de Génova, Sevilha ou a realização dos Fóruns Sociais em Porto Alegre e Florença. Continuando ainda bastante longe de representar, por si, um discurso alternativo coerente, estas novas formas de organização e enfrentamento político representam a entrada em cena de uma radicalidade política há muito desconhecida no panorama europeu e internacional, possibilitando mesmo a criação de raízes para a definição de um novo internacionalismo.

Importa criar as bases de um movimento social anti-guerra no nosso país, que tenha a capacidade de se organizar em torno das forças sindicais, associativas e políticas, emergindo como a bandeira de um amplo espaço político que se revê no enfrentamento com a lógica predatória do neoliberalismo.

Outro dos debates centrais que atravessaram o XII Congresso do PSR, e retomando aquilo que há dois anos apenas se entrevia como uma possibilidade, foi o próprio lugar do partido e a necessidade de adaptar as suas formas de organização à emergência social e política representada pelo BE.

Neste curto espaço de tempo, o Bloco de Esquerda foi capaz de ganhar espaço político e de se afirmar na sociedade portuguesa como uma força com capacidade de proposta e polarização política ˆ conseguindo mesmo marcar o debate público durante largos períodos de tempo do guterrismo ˆ, ao mesmo tempo que, lentamente, tem conseguido alargar sua base social de apoio.

Paradoxalmente, é o próprio sucesso do BE que tem vindo a colocar o PSR perante novas tensões identitárias, criadas pela diluição do seu espaço de representação pública em favor do empenho no Bloco de Esquerda. Deixando de ser entendido como um partido político (no sentido mais estrito), o PSR passou a organizar-se como uma corrente autónoma que intervém dentro do Bloco de Esquerda, conjuntamente com outras forças, e que dedica todas as suas forças militantes à consolidação nacional de um projecto político que, como temos visto, consagra a radicalidade política personificada pela nossa corrente.

Como se pode ler nas teses organizativas aprovadas no Congresso, o entendimento desta realidade não corresponde à dissolução de uma corrente revolucionária como a nossa no Bloco, “significa que o sucesso do PSR será o sucesso do Bloco como alternativa política nacional e é para isso que contribui toda a sua actividade.”

Uma corrente que mantém os seus níveis de autonomia, de caracterização política e identitária, e que reforça mesmo os seus lugares próprios de organização e discussão, como é o caso da Escola de Formação que terá lugar no próximo mês.

Pedro Sales

Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.

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