Declaração do NPA a favor da convergência da esquerda Anticapitalista
Internacional2009Na declaração publicada no site do Novo Partido Anticapitalista fundado no dia 7 de Fevereiro em Paris, o NPA diz apoiar uma convergência o mais ampla possível, nas lutas como nas eleições, "em torno de um programa anticapitalista e de uma perspectiva independente da direcção do PS". Lê aqui a declaração do NPA traduzida para português.
A Esperança Anticapitalista
O Novo Partido Anticapitalista fundou-se este fim de semana tendo adoptado um programa, estatutos provisórios, um nome, uma orientação política e eleito uma nova direcção.
Esta é conclusão de um processo e de uma dinâmica de encontro das forças anticapitalistas e revolucionárias que começou há já 18 meses. Este processo implicou que a LCR desse lugar a este novo partido. O NPA é desde já uma nova realidade política que construímos juntos, mas para lá da satisfação, foi um sentimento de responsabilidade e de tomada de consciência da gravidade da situação que dominou os nossos debates.
Efectivamente, a criação do NPA não é um acontecimento que esteja afastado da realidade política. A fundação do NPA inscreve-se e, sem dúvida, explica-se também, por um contexto de crise global. O capitalismo mergulha numa crise profunda, histórica, que já não é negada pela maior parte dos dirigentes do planeta. Ela não se reduz a uma crise financeira nem ao fracasso da regulação liberal do sistema capitalista, mas antes ao desastre de um sistema de generalização do mercado com o fim de satisfazer a sede de lucro dos que tudo têm. É o conjunto da população e do mundo do trabalho que se arrisca a pagar uma crise cujos actores principais do sistema (bancos, poder financeiro, instituições capitalistas) são os primeiros responsáveis. Os despedimentos em massa, o custo de vida, a destruição metódica dos serviços públicos foram as primeiras manifestações que provocaram as primeiras mobilizações. Simultaneamente, uma crise ecológica e alimentar atinge as populações no âmago das suas condições de vida. Face a esta crise de civilização capitalista, queremos instaurar uma força que defenda a perspectiva de uma transformação revolucionária da sociedade, da reconstrução de uma perspectiva socialista profundamente democrática que ponha em causa a propriedade privada económica.
As primeiras mobilizações irrompem. Guadalupe e Martinica sublevam-se contra o custo de vida, as injustiças e as discriminações. A 29 de Janeiro éramos vários milhões em greve e em manifestação, enquanto se desenhava uma nova jornada de luta para 19 de Março. Depois dos estudantes do ensino secundário em Dezembro, universitários e estudantes tomam o caminho da rua para fazer tremer um governo que não recuou em nada nos seus projectos de demolição social. Os apelos convergem no sentido de pôr em causa os projectos liberticidas do poder.
Apoiamos tudo o que permite a convergência das lutas, todas as iniciativas de mobilização em torno de um movimento conjunto contra o governo e a sua política. Um novo Maio de 68 para derrotar Sarkozy. É por isso que o NPA estará no coração das mobilizações, das greves e das manifestações, e proporá constantemente o encontro unitário das forças da esquerda social e política para apoiar as lutas. Como o fizemos na questão dos despedimentos. Como o proporemos para a nova jornada de greves e de manifestações a 19 de Março ou para apoiar o combate dos trabalhadores do sector automóvel.
Neste período de tensões sociais e políticas, defendemos um plano de urgência, um plano de saída da crise a favor dos trabalhadores e da população. Um plano de medidas concretas, que se recuse a gerir e a acompanhar o capitalismo, a financiar os responsáveis da crise como o faz o poder e como igualmente propõe o projecto do PS. Exigimos o aumento do poder de compra de 300 euros líquidos para todas e todos; nenhum rendimento, salário ou outro abaixo dos 1500 euros líquidos. A supressão da TVA* a começar pelos produtos de primeira necessidade; o congelamento e a baixa das rendas, a luta contra os hipermercados que acumulam lucros à custa dos consumidores ao mesmo tempo que estrangulam os pequenos produtores. Defendemos a proibição dos despedimentos nas grandes como nas pequenas empresas, no privado como no público, onde as supressões de postos de trabalho nunca foram tão fortes. Recusamos e combatemos a lei Bachelot de mercantilização e de privatização da sáude. Estamos ao lado dos universitários e dos estudantes contra a lei Pécresse. Recusamos as privatizações do passado e as de hoje, de direita como de esquerda, e bater-nos-emos pela expropriação dos bancos e das sociedades financeiras propondo, ao invés, um serviço público bancário controlado pela população...
Em torno de um programa anticapitalista e de uma perspectiva independente da direcção do PS, que se situa no quadro da gestão do sistema, apoiamos uma convergência o mais ampla possível. Nas lutas como nas eleições. Uma convergência duradoura que ofereça uma perspectiva alternativa a todas aquelas e todos aqueles que sofrem com a crise, que não suportam mais a arrogância do poder e do patronato. Uma união coerente que defenda a mesma política nas lutas e nas eleições, nas europeias como nas autárquicas, em França como na Europa.
*TVA: Taxe sur la valeur ajoutée, correspondente ao IVA em Portugal.
Tradução de Andrea Peniche. Texto original aqui.