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Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Eleições no Estado espanhol: Comunicado do Espacio Alternativo

até julho de 2009 · Internacional · 532 palavras

O PSOE voltou a ganhar as eleições legislativas, em grande medida beneficiando do “voto útil” e da rejeição que o PP provoca numa grande parte da sociedade. Este partido, por seu lado, beneficiou de uma intensa mobilização das direitas desenvolvida durante toda a legislatura anterior para manter firmes os seus apoios e até aumentá-los. O mapa político espanhol avança em direcção ao bipartidarismo, uma vez que o PSOE e o PP obtêm juntos mais lugares que em qualquer outra ocasião e forças como a Izquerda Unida ou a ERC (Izquerda Republicana da Catalunha) perdem espaço parlamentar.

A Izquerda Unida afunda-se definitivamente, retrocedendo tanto em percentagem de votos (menos de um milhão de votos) como em deputados, de 5 a 2, dos quais só um é propriamente da coligação. Este fracasso sem paliativos precipitou o anúncio de Llamazares de que não voltaria a candidatar-se a Coordenador Geral da IU, mas a reflexão sobre esta derrota no pode ficar-se por uma mudança de caras. O projecto de uma força eleitoral à esquerda da social-democracia cuja prática política está completamente afastada dos conflitos sociais é o que hoje fica definitivamente enterrado: a proximidade ao PSOE é o que asfixiou a IU até ao ponto de a converter numa força quase extra-parlamentar. A ERC também pagou caro a sua política ambígua e de alianças com o partido do governo.

Mas o que se passou nestas eleições também não é alheio ao refluxo dos movimentos sociais que, apesar de múltiplas resistências pontuais e importantes, se manteve durante o período de governo do PSOE. Perdido o impulso social que o levou ao governo a 14 de Março de 2004, o PSOE foi assediado pela direita e a sua politica girou consideravelmente á direita. Este é o partido que agora vai governar.

O Espacio Alternativo considera que estes resultados são a constatação de um processo de direitização generalizado que não encontrou uma oposição á esquerda com um discurso e uma prática de luta coerentes. Face a esta direitização e face à agudização das condições sociais que se prevê, em consequência da crise, pensamos que chegou o momento de reconstruir uma alternativa da esquerda anti-capitalista no Estado espanhol, que já não pode ser a IU nem um projecto semelhante que não faça o balanço dos erros e das limitações que esta força teve, mas que seguramente contará com muitos dos militantes desta organização que fazem uma análise semelhante destes anos de subordinação ao socialiberalismo, de ausência de lutas e de desgaste interno permanente. Falta uma esquerda cuja referência fundamental sejam os movimentos sociais e o impulso de lutas e resistências, que seja profundamente democrática e que, sobretudo, faça o que diga e diga o que vai fazer. Uma esquerda que sem excluir a participação em consultas eleitorais, tenha sempre como apoio fundamental a mobilização social.

Para começar a construir este projecto é fundamental que a unidade se afirme nas lutas e que os movimentos sociais voltem a ocupar o espaço que ficou abandonado nas mãos da direita. Neste sentido, apelamos a todas as pessoas e organizações de esquerda para que reforcem as diversas lutas sociais hoje em curso contra as políticas neoliberais.

10 Março 2008

Página web do Espacio Alternativo

Fonte: combate.info, cópia do Internet Archive de 2011.

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