combate

Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Itália: Começar de novo outra vez

até julho de 2009 · Internacional · 670 palavras

A crise é cenário habitual na política italiana e a queda dos governos antes do fim de mandato constitucional um hábito antigo. A recomposição da geografia política em que os mesmos actores vão assumindo outras formas e os partidos mudam a sigla e o seu arco de alianças, também. Para a esquerda, esta última crise que provocou a queda do governo de coligação encabeçado por Prodi, não é nada de novo e ilustra a inutilidade de integrar um governo sem um programa de ruptura com as políticas liberais.

Essa foi a conclusão final dos militantes da Sinistra Critica, espaço unitário que nasce dentro do Partido da Refundação Comunista (PRC) na objecção à sua participação no governo de Prodi a partir de Outubro de 2006 e animado pelos militantes da IV Internacional em Itália. Desde então a Sinistra Critica encontrou-se em três assembleias nacionais com muitas centenas de participantes e em mais de 60 assembleias locais, num processo que culminou com a ruptura com o PRC em 8 e 9 de Dezembro último e na sua constituição como movimento político independente. Esta corrente, fundadora da Refundação, decide assim recomeçar de novo num projecto político autónomo, revolucionário e em articulação com os movimentos sociais. As críticas essenciais ao PRC foram as do compromisso com a burguesia, a miopia sobre a perspectiva política na participação num governo de remendos do capitalismo nacional, de incompreensão dos movimentos sociais nomeadamente da sua necessidade de auto-organização e independência face aos partidos, de eurocentrismo e de paternalismo.

Este caminho do PRC foi ilustrado em vários momentos fundamentais em que o mais significativo foi aquele que levou o nosso camarada Franco Turigliatto, à expulsão do partido após ter votado, no senado, contra o envio de tropas para o Afeganistão. O governo Prodi já enviou tropas não só para o Afeganistão, mas também para o Líbano numa atitude que o dirigente do PRC, Fausto Bertinotti, caracterizou de “nova forma de pacifismo”. Também na manifestação unitária contra a visita de Bush em Junho de 2007, o PRC saiu da organização e promoveu uma iniciativa paralela. E a 20 de Outubro em manifestação contra a política social do governo, esclarece que não pretende rejeitar as medidas governamentais, mas “ajudar o governo a ter uma política mais favorável aos assalariados”. Talvez por isso, nas eleições locais do final de Maio o PRC tenha perdido cerca de metade dos votos e certamente que esta viragem contribuiu muito para o descrédito da política à esquerda – recentemente o humorista Beppe Grillo promoveu um movimento contra os partidos políticos e consegue juntar mais de 50 mil pessoas em Bolonha no Vaffanculo Day.

Hoje o projecto do PRC é de constitução de um novo partido com os Verdes, com elementos dissidentes dos Democratas de esquerda e com o PDCI, numa amálgama de principios e programas que provavelmente o vai afastar mais ainda do projecto anti-capitalista original.

Este renascimento da esquerda alternativa coincide com o seu envolvimento no centro do enorme movimento de contestação ao Vaticano e à campanha do integrismo conservador encabeçada pelo papa Ratzinger. Recentemente conseguiram anular a visita papal à inauguração do ano académico da Universidade La Sapienza numa mobilização sem precedentes de toda a comunidade universitária. Para o próximo dia 9 de Fevereiro espera-se em Roma uma enorme manifestação pela laicidade promovida por colectivos feministas e de direitos LGBT, onde os nossos camaradas da Sinistra Critica têm um envolvimento muito considerável.

E sem descartar próximas participações eleitorais a sua prioridade é a autonomia desse “sujeito político orientado para ser movimento”, para o que dispõem já da revista Erre, de uma editora e do Centro de Estudo Livio Maitan.

Como por cá, os caminhos da constituição de uma esquerda de classe e anti-capitalista são variados e da mesma maneira que procuramos sempre as convergências, temos de saber quais os momentos fundamentais da clarificação e em que as águas se têm de separar.

Vídeo Manif Sapienza

Dim lights Embed Embed this video on your site

Outras ligações:

Apelo manif 9 fevereiro

Manifesto Programático SINISTRA CRITICA

Fonte: combate.info, cópia do Internet Archive de 2011.

← Guatemala: Camponeses indígenas recordam massacre de 1980Escola de Formação é já em Março →

Algo errado nesta página? Reporte um erro