Morreu João Martins Pereira, o intelectual da esquerda
Bloco e APSR2009Faleceu no dia 13 de Novembro João Martins Pereira. Engenheiro, 76 anos, Martins Pereira publicou um livro que ficou célebre antes do 25 de Abril, “Pensar Portugal Hoje”. Foi secretário de Estado da Indústria do 4º Governo provisório, com o ministro João Cravinho e colaborou com a gestão das nacionalizações. Demitiu-se em divergência com a política do governo e a sua incapacidade de criar um novo impulso económico em resposta à crise desses anos. As edições Combate lançam em Dezembro um livro que reúne textos e crónicas publicados na revista de que foi colaborador desde o fim dos anos 80.
João Martins Pereira (1932-2008)
Faleceu ontem João Martins Pereira. Engenheiro, 76 aos, Martins Pereira publicou um livro que ficou célebre antes do 25 de Abril, “Pensar Portugal Hoje”. Foi secretário de Estado da Indústria do 4º Governo provisório, com o ministro João Cravinho e colaborou com a gestão das nacionalizações. Demitiu-se em divergência com a política do governo e a sua incapacidade de criar um novo impulso económico em resposta à crise desses anos.
Publicou muitos outros livros, como "O socialismo, a transição e o caso português", "Indústria, ideologia e quotidiano" e, mais recentemente, "À esquerda do possível" (1993, editado com João Paulo Cotrim e Francisco Louçã). O seu último livro foi um contributo importante para a história da indústria portuguesa ("Para a História da indústria em Portugal", 2005).
Colaborador do jornal Combate, foi um dos convidados da Convenção fundadora do Bloco de Esquerda, em que fez uma das intervenções de fundo.
Poucas pessoas terão dado tantos contributos teóricos e políticos para a reflexão da esquerda portuguesa, e a partir de um ponto de vista tão informado. No caso de Martins Pereira, como entre outros da sua geração, Jean Paul Sartre foi a influência mais marcante. Mas a partir de Sartre elaborou um marxismo heterodoxo, culto, informado de toda a dissidência e da radicalidade revolucionária do pensamento socialista. Propôs modelos e políticas da transição para o socialismo, e foi provavelmente o único marxista português a fazê-lo de modo consistente.
Devemos-lhe tudo.
Francisco Louçã
O corpo estará a partir das 15h na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa.
O funeral parte no sábado, às 16h45, para o cemitério do Alto de São João.