O Fim da Praxe
Opinião2013Cassilda PascoalOs representantes dos praxistas de várias Universidades fizeram uma Carta de Princípios que dizem respeitar os Direitos Humanos e a Constituição da Repíblica Portuguesa. Mas se fosse assim a praxe acabava.
O até há pouco tempo desconhecido Conselho Nacional das Tradições Académicas (CNTA), constituído por estudantes praxistas das Universidades de Coimbra, Aveiro, Beira Interior, Trás-os-Montes e Alto Douro, Minho, Évora, Porto e do Politécnico de Leiria, parece ter parido uma Carta de Princípios que diz respeitar os Direitos Humanos e a Constituição da Republica Portuguesa.
Como se já não bastasse o propósito da praxe: estagnar mentes e uniformizar comportamentos, agora uniformiza-se também a maneira como se faz. No entanto, e se pensarmos bem (esse exercício tão alheio às actividades praxisticas), tendo em conta as intenções e posições de quem nela participa, faz sentido.
Segundo a noticia publicada no jornal A Cabra, com a Carta de Princípios o CNTA tem como maior propósito a consciencialização da massa estudantil acerca das tradições académicas, e é aqui que começo a ficar toda baralhada com as palavras “tradição académica” e “consciencialização” na mesma frase. Decidi pesquisar mais sobre o assunto.
Em declaração ao JPN, o dux da UP (terá tantas matriculas quantas as do da UC?) diz que o que se pretende é evitar abusos e excessos, leia-se: violência mas pouca e disfarçada, e humilhar mas devagarinho.
Na carta parece constar a intenção da execução de uma praxe que garanta a dignidade dos estudantes, uma “praxe justa, idónea e equitativa, sem discriminação de género, credo ou etnia”.
Se é assim então não restam dúvidas, estamos perante o fim da praxe, pois sem a discriminação étnica, sócio-económica, religiosa, sexual, de género e principalmente hierárquica, ela não existe.