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Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Wilebaldo Solano: o desaparecimento do último líder do POUM

17 de setembro de 2010 · Internacional · 407 palavras

O nosso camarada Wilebaldo Solano faleceu com a idade de 94 anos em Barcelona, a cidade catalã que foi o coração da revolução durante a Guerra Civil espanhola. Texto de Fred Borras.

Nosso camarada Wilebaldo Solano faleceu com a idade de 94 anos em Barcelona, a cidade catalã que foi o coração da revolução durante a Guerra Civil espanhola. Quando Franco toma a liderança da revolta militar contra a República Espanhola em 1936, Wilebaldo tem apenas 20 anos e lança-se, como milhares de jovens da sua geração, ao “assalto às estrelas” na Guerra Civil, procurando fazer triunfar a revolução socialista, assumindo as tarefas perigosas impostas pela luta contra o ascenso do fascismo. Militante do POUM, o Partido Operário de Unificação Marxista, ele acaba por liderar a juventude organizada do Partido, a Juventude Comunista Ibérica, reivindicando uma socialismo revolucionário anti-burocrático e anti-estalinista.

Wilebaldo, como todos os militantes do POUM, fez corajosamente frente às tropas de Franco, também conscientes que as forças estalinistas constituíam uma ameaça perigosa nas suas costas. Muitos militantes do POUM foram assassinados por partidários de Moscovo. Uma das principais figuras do Partido, Andreu Nin, foi raptado, torturado e assassinado por militantes estalinistas. Esta tragédia contada de forma inesquecível por George Orwell em “Homenagem à Catalunha” é também o fio condutor de “Terra e Liberdade”, de Ken Loach, um filme que permitiu despoletar muitos debates com a participação de Wilebaldo Solano.

Wilebaldo também escapou a um atentado em 1937, antes de ser detido e depois preso em 1938. Consegue fugir no início do ano de 1939, pouco antes de ser enviado para as forças franquistas e junta-se a Daniel Guerin, Marceau Piver e Victor Serge em França. Nunca baixando os braços, Wilebaldo continua a lutar e é detido em 1941 pelas autoridades do Governo de Vichy, para só ser libertado em 1944 pela Resistência francesa. Em 1947, em Paris, Wilebaldo Solano reconstitui o POUM para prosseguir tanto a luta contra o Franquismo, como a sua luta contínua por uma revolução socialista.

Wilebaldo tinha os olhos postos num futuro que ele esperava vir a ser livre de barbárie, de injustiça, de exploração e opressões. Seu empenho incansável não foi em vão. Filhos e netos do POUM estão cá para continuar o combate!

Compañero Solano ? Presente!

Ler a obra de Wilebaldo Solano: Le POUM. Révolution dans la guerre d'Espagne, Colecção "Le Présent Avenir" 2002, Edições Syllepse, 366 páginas, 20 euros

Tradução de Rodrigo Rivera. Texto original aqui.

Fonte: combate.info, cópia do Internet Archive de 2012.

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