combate

Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Agora é a doer

Miguel Reis · setembro de 2003 · Jornal · 314 palavras

Propinas · Combate, setembro de 2003, edição em linha

As propinas vão ser aumentadas para um mínimo de 468 euros (mais 30% que o actual valor), e um máximo de cerca de 856 euros (mais 140%). @s estudantes vão ter igualmente que se confrontar com a aplicação do conceito de «estudante elegível» sob a forma de sistemas de prescrições que vão ser generalizados a todas as instituições de ensino. Além disso, os órgãos de gestão das faculdades vão deixar de ser paritários, ou seja, todo o poder aos senhores professores.

A receita combina claramente elementos profundamente neoliberais e conservadores: aumentar as propinas e expulsar os alunos que chumbem mais do que duas vezes contribui para reduzir a despesa social do Estado e para elitizar ainda mais o Ensino Superior (depois da já disparatada redução do número de vagas). A lei é cega e vai prejudicar obviamente os menos favorecidos, coisa que a ridícula Acção Social Escolar nunca conseguirá disfarçar sequer. Por outro lado, os elementos mais conservadores são claramente ilustrados pelo regresso a concepções anti-democráticas do ensino com um «fascizóide» afastamento dos estudantes dos órgãos de gestão e decisão, não vão eles virar do avesso esta política...

O tempo é de luta. Os dados já estão lançados. Os Reitores das Universidades, muito cautelosamente, criticam a passagem da «batata quente» da implementação do valor das propinas e preparam-se para salvar a face, não vão os estudantes barricar-lhes os escritórios. As Associações de Estudantes já protestaram publicamente e acordaram numa campanha nacional de informação cujo lema é «Será que Aguentas?».

O que também ninguém aguenta é apanhar sem se defender e lutar, sem ir para a rua exigir. Por isso, torna-se urgente um «regresso às aulas» que, em vez de se pautar pela palhaçada reaccionária da praxe, se faça da cor da luta, dos plenários, das reuniões Gerais de Alunos, das greves, dos boicotes e das manifestações.

Para que lhes doa a eles.

Miguel Reis

Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.

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