combate

Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

O Bloco pelo socialismo

João Carlos · abril de 2003 · Jornal · 603 palavras

Combate, abril e maio de 2003, edição em linha

A 10 e 11 de Maio vai decorrer, em Lisboa, a III Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Desde final de Fevereiro que estão a debate os projectos de Teses e as propostas fundamentais a esta Convenção. Desde então dezenas de contributos e opiniões têm sido publicadas, dúvidas e certezas sobre o caminho percorrido pelo Bloco desde a sua fundação em 1999 têm sido objecto das reuniões preparatórias. Momento fundamental nas escolhas e na definição das principais linhas para a intervenção política do movimento, à III Convenção também compete eleger a próxima Mesa Nacional, órgão máximo de direcção e coordenação entre duas convenções.

Ponto de chegada de uma discussão que atravessa as estruturas distritais e regionais do Bloco, momento para decisões, confrontar opiniões e fazer escolhas. Mas também ponto de partida para o próximo período, para a intervenção dos bloquistas nos movimentos sociais, para a interpretação desses movimentos e do novo internacionalismo que está a surgir a par com a globalização capitalista e o imperialismo a que nos opomos. O Bloco é parte integrante desse movimento que à escala internacional responde à violência imperial com um projecto de democracia fundadora, que consegue fundir agendas diferentes em escolhas de iniciativas e de um programa de acção comuns. O Bloco pertence a essa esquerda que de Seattle a Florença e Sevilha afirma que pode haver um modelo de globalização alternativa e solidária, que junta esforços contra a anunciada barbárie social criada pelo neo-liberalismo dominante. Contra a guerra infinita e o imperialismo que subjuga os povos, devasta o ambiente e marginaliza os excluídos, contra a fragmentação da cidadania e a privatização do conhecimento, a clandestinização da imigração e a destruição dos serviços públicos essenciais para o desenvolvimento e para a justiça social, o Bloco junta forças, participa e constrói o caminho da alternativa.

Uma alternativa a que as Teses apresentadas chamam "socialista", fazendo a escolha da sua interpretação em medidas concretas para a sociedade actual. O socialismo como horizonte e objectivo para uma sociedade mais justa, mas também como instrumento de luta, com conteúdos que oponham à modernização conservadora um modelo de pleno emprego, ampliação dos serviços públicos e estratégia europeia contra o neo-liberalismo. Essa é a convergência defendida pelos textos apresentados à Convenção, para um maioria social e política no país que possa derrotar a direita e iniciar um novo ciclo na política nacional. Quatro anos depois do "Começar de Novo", o Bloco pode ser um dos motores dessa proposta maioritária.

Mas a democracia que imaginamos tem de ter correspondência europeia, tem de saber cruzar os espaços nacionais com as conquistas sociais, avanços civilizacionais e propostas que façam da Europa um exemplo de democracia fundadora e uma voz da cidadania universal. Refundar a Europa superando o garrote do Pacto de Estabilidade e Crescimento, é a proposta central do projecto de declaração europeia, documento central nesta Convenção e que prepara a nossa participação às eleições para o Parlamento Europeu de 2004.

Mas na véspera do início da III Convenção, o Bloco é ainda um projecto incompleto, com enormes carências, com dificuldade em estabilizar uma rede alargada de aderentes capazes de promover campanhas e concretizar iniciativas, com dificuldades em algumas áreas de intervenção e com conhecimento insuficiente em muitas das realidades sociais e políticas no país. Só a participação de todos os activistas, o seu cruzamento permanente com as redes de activismo social permitirá ao Bloco crescer e afirmar-se portador da esperança de mudança e capacidade de acção. Só com o compromisso efectivo de cada aderente a III Convenção poderá ser um sucesso e servir para um Bloco mais forte, mais dinâmico e mais capaz.

João Carlos

Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.

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